Causalidade

As idéias de causa e causalidade fazem parte do esforço de dar sentido ao mundo e estão presentes nos mais diversos domínios da atividade humana e do pensamento, como a religião, a mitologia, o direito, a filosofia e a ciência.

Causalidade, ou relação de causa e efeito, é o vínculo que correlaciona fenômenos diferentes fazendo com que alguns deles apareçam como condição da existência de outros. Na vida cotidiana, a idéia de causa está associada à da ação de alguém que cria algo. Idéia semelhante é inspirada pela observação da natureza: certos acontecimentos são considerados responsáveis pela produção de novos acontecimentos. São características básicas dessa relação: a anterioridade temporal (a causa precede o efeito) e o vínculo de determinação (o efeito depende da causa). Subjacente ao princípio de causalidade está a idéia de "condição suficiente": aquele fato, coisa ou situação cuja existência ou ação basta para produzir o fenômeno observado.

Conceituação Filosófica

A primeira sistematização do conceito de causa se encontra na filosofia de Aristóteles, que distingue quatro tipos de causa. A "causa material" e a "causa formal" se entendem, respectivamente, como a matéria e a forma que se combinam para dar existência às coisas e aos seres. A "causa eficiente" equivale ao agente que determina diretamente o fenômeno considerado. A "causa final" é o propósito com que um ato se realiza, a finalidade de algo, a razão por que existe ou passa a existir.

O sistema de Aristóteles, que predominou por toda a Idade Média, pretende responder à questão "por que as coisas são como são?". A partir do Renascimento, principalmente com o desenvolvimento da ciência moderna (sobretudo a astronomia e a física da época de Copérnico, Galileu e Newton), a relação de causa e efeito passa a responder a uma indagação científica: como se dão os fenômenos de mudança? A procura da causa eficiente cedeu lugar à busca de leis gerais, ou seja, a idéia de uma relação de causalidade entre fenômenos foi substituída pela de sistema de relações cientificamente descritíveis.

Atualmente, podem-se distinguir na tentativa de conceituar a causalidade duas perspectivas gerais e opostas: a racionalista e a empirista. A primeira, de Descartes, Spinoza e Leibniz, tende a relacionar causa e razão: a causalidade é uma relação real e necessária, apreensível pela faculdade racional humana. Os empiristas como Hobbes e Hume, pelo contrário, identificam a causalidade com uma sucessão de fatos no tempo, já que a relação de causa e efeito entre fenômenos não pode ser comprovada, mas apenas consagrada pelo costume.

Kant assimilou as idéias de Hume, mas deu ao problema uma solução original, que preserva a importância da explicação causal: a causalidade é uma categoria fundamental do entendimento humano, de modo que não caberia demonstrá-la, mas aplicá-la à observação dos fenômenos. A filosofia idealista pós-kantiana, principalmente a de Schelling, deu especial atenção ao problema da relação entre o princípio de causalidade e a liberdade humana.

No século XX, os estudos de psicologia experimental, como os de Jean Piaget e Albert Michotte, elucidaram vários aspectos do aparecimento e desenvolvimento da idéia de causa nas crianças e de sua função como organizadora da experiência do indivíduo.

     
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