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Estados Contemporâneos A revolução francesa teve como conseqüência a criação de uma nova estrutura política adaptada às transformações econômicas que a sociedade estava experimentando com o desenvolvimento do capitalismo. Para garantir as liberdades individuais, a igualdade jurídica e o direito de propriedade, foram limitadas as prerrogativas reais e a atuação estatal foi submetida à lei. Com o precedente das constituições americana e francesa, logo começaram a surgir, nos países europeus e americanos, textos constitucionais em que se consagrava o fracionamento do poder como garantia efetiva dos direitos do indivíduo. A missão principal do estado liberal se baseava na proteção das liberdades individuais e na manutenção de uma ordem jurídica que permitisse o livre jogo das forças sociais e econômicas. Para cumprir essa missão, o estado se valia dos meios legais estabelecidos pela constituição. O crescimento do proletariado industrial e os conflitos imperialistas entre as potências européias favoreceram a deterioração e o descrédito dos regimes liberais a partir do final do século XIX. O socialismo utópico e, depois, o anarquismo e o marxismo negaram a legitimidade do estado liberal e propuseram novos modelos de sociedade nos quais o homem poderia desenvolver plenamente suas capacidades. O anarquismo criticou diretamente o estado por considerá-lo um instrumento de opressão dos indivíduos. Os anarquistas sustentavam que todo o poder era desnecessário e nocivo. Propunham a substituição das relações de dominação estabelecidas pelas instituições estatais por uma colaboração livre entre indivíduos e coletividades. Max Stirner, Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin e Piotr Kropotkin foram importantes representantes das diferentes correntes anarquistas. Para Karl Marx, Friedrich Engels e os marxistas que vieram depois, a igualdade jurídica e as declarações formais de liberdade nos estados liberais encobriam a desigualdade econômica e a situação de exploração de determinadas classes sociais por outras. O estado capitalista era o meio de opressão da burguesia sobre o proletariado e as demais classes populares. Segundo a teoria do materialismo histórico, o próprio desenvolvimento do capitalismo e o crescimento do proletariado desembocariam na destruição do estado burguês e em sua substituição por um estado transitório, a ditadura do proletariado. Essa finalmente se extinguiria para dar lugar à sociedade sem classes. A revolução russa e, posteriormente, a chinesa, a cubana e outras procuraram colocar em prática o estado socialista, ou comunista, da ditadura proletária em suas diferentes interpretações. Na primeira metade do século XX, a crítica ao estado liberal se desenvolveu também a partir das ideologias fascistas, baseadas em uma concepção radical do nacionalismo. Tanto o fascismo italiano quanto o nacional-socialismo alemão defenderam os interesses da nação sobre a liberdade dos indivíduos. O estado, encarnação do espírito nacional, devia concentrar todas as energias individuais a fim de atingir seus objetivos últimos e transcendentes. Historicamente, o fascismo representou uma reação contra o auge do movimento operário e o comunismo internacional depois da revolução ru
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