Filosofia da História da Arte


Criação eminentemente alemã, a filosofia da história da arte ocupa um lugar intermediário entre a estética, a teoria geral da arte e a história da arte. Com a estética, participa da investigação filosófica da criação artística. Ao contrário do que faz a história descritiva da arte, procura investigar as leis do desenvolvimento artístico, considerando-as sob o ângulo historicista. Ao procurar fixar o ritmo desse desenvolvimento, visa estabelecer o sentido da história da arte. É assim uma ciência-síntese e integra as chamadas ciências do espírito.

O fundador dessa ciência foi Wilhelm Dilthey que, em Das Erlebnis und die Dichtung (1905; A experiência e a poesia), apresentou os critérios gnosiológicos de sua abordagem. Ao determinismo causalístico das ciências exatas, Dilthey preferiu a compreensão psicológica. Dessa maneira, as ciências do espírito livraram-se do naturalismo mediante um retorno radical a Hegel. Um dos fatores dessa tônica hegeliana foi a influência de Benedetto Croce, para quem o que continuava vivo na filosofia de Hegel era a supremacia do pensamento na compreensão da realidade.

No campo da historiografia das artes, essa mudança de perspectiva mostrou-se bem característica na oposição entre os métodos de Karl Schnaase e Jacob Burckhardt, o primeiro voltado para o problema das relações da arte com o conjunto da vida social e espiritual, particularmente o povo e a raça, e o último preocupado com o estudo do objeto artístico, seu valor intrínseco e suas peculiaridades. Fundou, assim, a historiografia formal da arte, cujo objetivo primordial é a crítica do estilo. Essa orientação fez de sua obra Die Kultur der Renaissance in Italien (1860; A cultura do Renascimento na Itália) um marco literário em que o Renascimento é definido como o berço da civilização moderna.

As questões da forma também atraíram a atenção de Konrad Fiedler, que trabalhou com os conceitos de Gestaltung (configuração) e Formung (conformação). Mas a síntese entre as posições historicistas e analítico-formais foi alcançada por Alois Riegl, que chegou a uma filosofia transcendental da arte e opôs-se às teorias materialistas, que faziam derivar, geneticamente, todas as formas artísticas das propriedades do material e da técnica empregados em sua elaboração.

Com seu conceito de vontade artística, Riegl contestou a concepção mecanicista que via na obra de arte um produto como outro qualquer, de fins utilitários. Vários teóricos aperfeiçoaram a visão de Riegl, entre os quais Max Dvorák, Hans Tietze, Richard Hamann, Erwin Panofsky e Fritz Saxl, que ressaltaram o caráter humano e individual da criação artística, assim como suas implicações na participação dos sentidos de quem cria e na formação dos estilos.

A forma voltou a ser o centro das atenções na obra de Heinrich Wölfflin, Kunstgeschichtliche Grundbegriffe (1915; Conceitos fundamentais da história das artes), em que ganhou especial relevo a descrição fenomenológica da arte clássica e da arte barroca. Wölfflin situa-se como mediador entre a obra de arte e o espectador: quer ensinar a ver e educar os olhos para que saibam interpretar a obra de arte.

Outra importante contribuição é a de Wilhelm Worringer, que interpretou a arte como uma espécie de história psicológica do homem. Na verdade, amplia a metodologia histórica ao assentá-la numa "psicologia do estilo", como expressão do espírito de uma época e atitude existencial do ser humano diante do mundo. O estilo, para Worringer, não se distingue como forma expressional do artista, mas como signo de um contexto histórico-cultural.

O idealismo retornou à cena com os estudos de Max Dvorák sobre os irmãos van Eyck, mas Frederick Antal tomou o caminho inverso, ao tratar da pintura florentina dos séculos XIV e XV com rigoroso realismo histórico. Já a visão sociológica foi iniciada por Michael Haberlandt, mas uma e outra perspectivas, de realismo histórico e social, ganharam vasta contribuição nas obras de Arnold Hauser, Sozialgeschichte der Kunst (1953; História social da arte) e Philosophie der Kunstgeschichte (1958; Filosofia da história da arte). Sua interpretação do maneirismo em Der Manierismus; die Krise der Renaissance und der Ursprung der modernen Kunst (1964; O maneirismo; a crise do Renascimento e a origem da arte moderna) é um dos pilares da filosofia da história da arte contemporânea.

Na atualidade, o caminho de Hauser foi enriquecido pelos estudos de Moritz Geiger (fenomenologia), do austríaco Hans Sedlmayr e do inglês Herbert Read, assim como pela participação da psicanálise -- desde os estudos do próprio Freud sobre Leonardo da Vinci e Michelangelo -- e do marxismo de Ernst Fischer, Georg Lukács, Lucien Goldman, Karel Kosik, Galvano della Volpe. O pensamento dos alemães Theodor Adorno e Walter Benjamin trouxe novas luzes para a interpretação do fenômeno da criação estética e, nos Estados Unidos, a reflexão de Fredric Jameson demonstra claramente como, na visão de Adorno, "a obra de arte reflete a sociedade e é histórica na medida em que recusa o social e representa o último refúgio da subjetividade individual em relação às forças históricas que ameaçam esmagá-la".

Veja também:
Historia e Estilo
Arte Popular

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"FILOSOFIA DA HISTÓRIA DA ARTE. Estudante de Filosofia, 2024.
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