Benedetto Croce

A fortaleza moral na luta contra o fascismo e o trabalho magistral como animador da cultura de seu país na primeira metade do século XX fizeram de Croce um símbolo espiritual da Itália moderna.

Benedetto Croce nasceu em Pescasseroli, na região dos Abruzzi, em 25 de fevereiro de 1866, mas passou a maior parte da vida em Nápoles. Aos 16 anos perdeu os pais num terremoto em Casamicciola, experiência que o deixou marcado para o resto da vida, caracterizada pela solidão. Estudou direito em Roma e, de volta a Nápoles, depois de estudos históricos e filológicos, dedicou-se por completo à filosofia.

Desiludido com os líderes nacionalistas, logo começou a desenvolver suas próprias convicções políticas, de conteúdo democrático e liberal. Em 1903 fundou a revista La Critica, na qual publicaria a maioria de seus escritos e resenharia os trabalhos dos intelectuais europeus mais importantes de seu tempo. Em 1910 foi nomeado senador do reino. Depois da primeira guerra mundial, em que apoiou a causa dos aliados, foi ministro da Educação, mas com a chegada de Mussolini ao poder viu-se obrigado a retirar-se da vida pública; mas isso não o impediu de manifestar sua vigorosa oposição ao fascismo.

Ao longo desses anos Croce publicou suas obras mais importantes: Estetica come scienza dell'espressione e linguistica generale (1902), Logica come scienza del concetto puro (1909), Filosofia della practica, Economia ed etica (1909) e Teoria e storia della storiografia (1917). Esses quatro tratados condensam sua "filosofia do espírito", baseada no idealismo de Hegel e no historicismo do italiano Giambattista Vico. Para Croce, o objeto da história é o espírito, isto é, a consciência humana, que, por sua vez, se manifesta em fases teóricas (arte, lógica) e práticas (economia, ética). A síntese de todas elas é o espírito, mas este é livre e espontâneo e, portanto, tal síntese só se pode produzir mantendo-se a diversidade. Assim, filosofia e história se identificam em certa medida: a primeira existe enquanto vir-a-ser histórico, mas, ao mesmo tempo, a compreensão da história depende dos conceitos espirituais universais propostos pela filosofia. Depois da segunda guerra mundial, Croce participou da implantação das instituições democráticas na Itália. Morreu em Nápoles em 20 de novembro de 1952.

     
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