Educação na Idade Média

O currículo medieval compreendia, no aspecto secular, as sete artes liberais - o trivium (gramática, dialética e retórica) e o quadrivium (geometria, aritmética, música e astronomia) e a filosofia; e no dogmático, as doutrinas da igreja e das escrituras. A teologia ainda não fora organizada num sistema filosófico, e essa foi a grande obra da Idade Média. As artes liberais representavam um legado da velha educação romana, e seu escopo era mais amplo do que sugerem seus nomes na modernidade. A gramática incluía o estudo do conteúdo e da forma literárias; a dialética restringia-se à lógica formal; a retórica compreendia o estudo das leis e dos métodos de composição literária em prosa e verso. A geometria correspondia ao que se compreende modernamente por geografia, história natural e botânica. A aritmética consistia apenas em cálculos práticos exigidos pela vida cotidiana. A música não passava de um conjunto de regras relativas a canções sacras, teoria do som e conexões entre a harmonia e os números. No campo da filosofia, os livros mais divulgados foram o De consolatione philosophiae (Sobre a consolação da filosofia) e as Categoriae e De interpretatione, de Aristóteles.

No século XI, após várias guerras e invasões, a Europa teve estabilidade política e social. Surgiu nova tradução da Metafísica, de Aristóteles, e no século XIII, versões de suas principais obras, diretamente do grego. A filosofia peripatética pôs-se a serviço da teologia e propiciou o renascimento escolástico no setor educacional.

As figuras mais representativas desse período foram Abelardo e santo Tomás de Aquino. Este, na Summa theologica, sistematizou toda a doutrina da igreja. O interesse humano voltou-se sobretudo para os problemas espirituais, e a autoridade eclesiástica em matéria de crença tornou-se inquestionável. O conteúdo da educação escolástica esteve em harmonia com os interesses intelectuais da época. Sua maior contribuição foi promover a fundação de universidades na Europa. A introdução de estudos derivados do grego propiciou uma crescente liberdade de ensino.

O esquema de instrução era estruturado de modo que os estudos especiais baseavam-se em ampla cultura geral. Das quatro faculdades que compunham a universidade, a de artes funcionava como preliminar às de teologia, direito e medicina. Os métodos de instrução fundamentavam-se na leitura ou comentário de textos e na emulação, pela qual os estudantes se adestravam no uso dos conhecimentos absorvidos. Essa evolução do ensino superior foi acompanhada pelo aumento do número de escolas elementares.

Além do ensino espiritual, o sistema social da época mantinha um tipo de educação própria da classe feudal, que consistia na preparação de pajens e senhores na arte da cavalaria. Tal educação não se opunha à religião, pois a cavalaria era santificada pelos clérigos. Seu objetivo era tornar os jovens da classe nobre dignos da admiração dos servos, justos, sábios e prudentes no trato das coisas do estado.

A unificação dos conhecimentos existentes e a sistematização da teologia completaram a obra dos escolásticos. As manifestações do sentimento nacional, no entanto, minaram lentamente o sistema feudal. Generalizou-se o desejo por novos estilos de vida. A educação européia, ameaçada de se transformar em retórica vazia, foi salva pelo renascimento dos estudos clássicos, iniciados ainda nas primeiras décadas do século XIV.

Veja também:
Ciências da Educação
Educação Contemporânea
Educação em Roma
Educação na Grécia
Educação na Sociedade sem Escolas
Educação no Brasil
Educação no Humanismo
Educação no Renascimento
Educação nos Séculos XVIII e XIX
Ramos da Educação

     
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