Educação no Humanismo

Desde o século XI as cidades do norte da Itália apresentavam maior progresso material e cultural que o resto da Europa. O espírito clássico, na verdade, nunca morrera. A Divina comédia, de Dante, demonstrou que o poeta escolástico era também um estudioso dos clássicos latinos. O grande impulso para o retorno aos clássicos foi dado por Petrarca e Boccaccio. O movimento, iniciado na Universidade de Florença, logo se espalhou a outros países; mas as ricas comunas italianas permaneceram como centros de irradiação da cultura.

O serviço mais valioso prestado pelos humanistas peninsulares foi abrir caminho para a instauração de uma atmosfera intelectual mais livre. Mas o espírito do movimento reside na oposição à autoridade e na afirmação da liberdade individual, que se manifestou de várias formas. Na Itália, refletiu-se nas artes e na literatura, em que o paganismo substituiu o cunho moral ou religioso. Na Alemanha, surgiu em forma de reação contra o sistema doutrinário da igreja, e único meio de abolir os abusos eclesiásticos. Nesse sentido, a Reforma protestante de Lutero foi a manifestação do movimento renascentista alemão.

A princípio, o interesse pelo estudo da literatura clássica não deixou transparecer qualquer antagonismo com a fé católica, e muitos de seus mais calorosos partidários professavam o catolicismo. Muitas escolas realizaram versões cristianizadas de Quintiliano e Plutarco. Alguns humanistas, como Nicolau de Cusa, Alexander Hegius e Jakob Wimpheling, na Alemanha; Erasmo, na Holanda; William Grocyn, Thomas More e John Fisher, na Inglaterra, buscaram difundir o estudo clássico junto com o ensinamento religioso.

Quando a Reforma religiosa de Lutero dividiu toda a Europa em dois campos antagônicos, a maioria das escolas e muitas universidades aceitavam com certa frieza os estudos humanistas. Os efeitos imediatos da controvérsia religiosa sobre a educação foram desastrosos. Em muitos casos, a secularização da propriedade eclesiástica absorveu as dotações das escolas e provocou o desaparecimento de muitas delas. As discussões teológicas invadiram a universidade e seguiu-se um período de decadência cultural e de dissolução dos costumes. Houve tentativas de restauração, entre elas a iniciada pelo teólogo e educador alemão Philipp Melanchton, que fundou e reorganizou numerosas escolas na Alemanha.

Nos países católicos, a igreja reteve o controle da educação. A supressão dos abusos eclesiásticos pelo Concílio de Trento e a energia da Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loiola, recuperaram para a igreja a maior parte do sul da Alemanha. As universidades eram dirigidas por padres, e o escolasticismo, expurgado dos exageros, foi restaurado. Os métodos de ensino da Companhia de Jesus e seu currículo clássico, elaborado com grande habilidade, ganharam fama.

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